POR AMIZADE OU INTERESSE ?
Humberto Pinho da Silva
Lamentava-se senhora alentejana que o sobrinho, que tão amigo era dela, em criança, logo que entrou na universidade, deixou de lhe escrever e visitar.
Consolando-a, amiga confidente, dizia-lhe que isso seria motivo de alegria: pois era sinal que nada lhe faltava.
Esse lamento, lembrou-me a velha historieta do jovem que estudava em Coimbra, e não respondia às cartas do pai, lavrador abastado, que mourejava a terra desde a puberdade. Contando, muito contristado, o ingrato comportamento do filho, no boteco da aldeia, entre amigos mais íntimos, um, prontamente o aconselhou:
- “A culpa é de Vossa Senhoria. Escreva-lhe, dizendo, que junto com a carta, segue nota de cem euros, mas não a meta. Verá que pela volta do correio receberá carta afetuosa”.
Assim aconteceu. Dentro de dias entregaram-lhe missiva reclamando a nota. Não sei se será egoísmo ou desprezo, a atitude de muitos, de só se abeirarem de familiares e amigos de infância, quando se lembram que estes lhes podem ser úteis, para realizarem o tal jeitinho, que facilita a entrada no emprego ou passagem no exame.
Digo não sei, porque a amizade devia ser cultivada, mormente por aqueles que receberam carinho desinteressado, na infância. Disse um dia que o sentimento que mais fere é o da ingratidão, e julgo que disse bem, porque não há maior afronta, apartar-se de alguém, porque já não se precisa dele.
Há parentes que moram a poucos passos uns dos outros e só se veem nos atos solenes: batizados, casamentos e funerais, ou quando se recordam que lhes podem ser úteis. Há amigos que raramente se carteiam, mesmo em dias festivos, e nem pela Internet se dão ao incómodo de agradecer a gentileza de lhe terem enviado foto ou bilhetinho a transbordar de ternura.
Declaram que têm vida muito ocupada - os afazeres nem lhes permite conviverem com os filhos. Mas não recusam jantares com “ importantes”, nem deixam de viajar em fins-de-semana,.. Há tempo para tudo, mas não há para conviverem, quando o parente ou amigo, é pobre ou não lhes pode ser útil.
Para eles, a amizade, é meio de adquirirem influência.
Meu pai tinha um amigo, que visitava frequentemente. Um dia ficou internado em Casa de Saúde, a poucos metros da residência do companheiro. Pois, este, não conseguiu encontrar tempo para o visitar.
Certamente dizia lá para consigo: Para quê? Está gravemente doente, à porta da morte. Já não serve para nada, nem para mencionar o meu nome na coluna do jornal. - meu pai era jornalista.
Como os homens são ingratos, bem diferentes dos cachorros, que amam aqueles que com eles convivem, mesmo quando caiem em desgraça ou se afastam por longo tempo.
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Muitos parabéns, amigo Humberto Pinho por ter escrito e bem, este texto que muita gente poderá enfiar na cabeça. Por aqui, infelizmente há muito disso. Estando servidos, já pouco ligam a quem lhe fez benfeitorias e nem juros pagam. Quando precisam oferecem este mundo e outro, mas depois de servidos viram o rabo…, já não ligam meia. Infelizmente também estou na onda… Conheço bem o que isso é.
Clarisse Barata Sanches
MEDIDAS DE AUSTERIDADE
SÓ PECAM POR SER TARDIAS
PORQUE GASTAR À VONTADE,
SÓ SE ESPERAM OS MAUS DIAS...
SE DEUS NOS AJUDAR SERÃO TRANSITÓRIAS!
Há muitos anos que nós sabíamos que Portugal estava a viver acima das suas possibilidades, também agravadas por alguma crise europeia.
É muito necessário corrigir urgentemente a falha que nos levaria ao abismo. As “gorduras” a mais não fazem bem à saúde do País. A dieta tem de ser respeitada tal como foi prometido, mas capazmente.
Terá de haver coragem para suavizarmos o sofrimento e a solidariedade necessária entre todos. Os mais carentes, são os mais afetados, mas estamos todos dentro da mesma carruagem… Foi mal guiada? Certamente que sim; mas o nome brilhante de Portugal não pode mais ser enxovalhado.
O ano que se aproxima será de dificuldades e também de poupança forçada, mas vamos todos erguer bem alto o nome glorioso de Portugal. Façamos tudo por ele, que à roda dos tempos, conquistou fama e glória.
Lutas de rua não resolvem nada. Os credores não se comovem com isso. A Nação precisa de todos nesta hora grave. Não vamos abandoná-la ao desdém. O que é preciso é cortar mais na medida dos que têm mais. Não vamos tirar 10% em todos que têm mais 600 Euros. Isso era uma medida injusta. Tem de ser conforme recebem e têm. Penso que já estão tratando disso. De contrário ninguém cala os mais pobres.
O Orçamento tem de passar para salvarmos a honra de Portugal.
Neste momento de aflição abraçamo-nos todos à sombra da Bandeira Portuguesa, que é digna do nosso respeito e carinho.
Vamos ser dignos dos nossos bravos antepassados e que Deus abençoe Portugal. Mas isto está muito difícil. O calote é medonho e a vergonha é pouca, nada vale vermos, agora, crescerem as barbas…
A maioria tomba em cima dos mais fracos e não pode ser. Que ninguém se esqueça de responsabilizar os criminosos que fizeram o derrube duma Pátria que é de todos. Se não sai o veneno, morremos da dieta e deixamos uma triste história.
Pode levar tempo, mas essa investigação tem de efetuar-se em honra da nossa JUSTIÇA que também anda caída, coitada, e precisa levantar-se.
Clarisse B. Sanches
Ao Prezado Amigo e distinto escritor e Director da Comarca de Arganil,
António Lopes Machado,
agradecendo-lhe o seu belo livro
“As Últimas Crónicas” .
Há quem me chame, às vezes, professora
E eu fico um bocadinho embaraçada…
Mas logo rectifico: não, senhora!
No exame, sim, distinta e aprovada.
Eu tinha a minha mente bem formada
Para seguir estudos nessa hora
Mas Coimbra tinha longe aquela estrada
Para ali me fazer uma doutora.
Ninguém pode fugir ao seu destino
Num tempo bem difícil para ensino;
Na loja, cedo tive de lutar.
Eu fui na vida aquilo que Deus quis;
Ajudei minha mãe e fui feliz
No modo de escrever e de sonhar!
Prezado Amigo António Lopes Machado
Gostei muito destas suas Crónicas, que espero não sejam as últimas…
A sua cabeça lembra-me uma Enciclopédia de ensinamentos e convida-nos a viajar por longes terras, a conhecer pessoas e a saber como sempre pugnou pelo bem da nossa região.
Homens como António L. Machado são hoje bastante raros, que dedicou a sua vida a Bem duma Sociedade onde tinha as suas raízes. Quem havia de dizer que na Eira Velha se criava um lutador pelo bem comum, instruído, culto e amigo de conviver com toda a gente.
Grata pela sua valiosa oferta que li com muito gosto e apreço. Até a Judite o leu primeiro do que eu e gostou também. Talvez eu ainda venha a publicar um pequenino livro. Vamos lá ver se Deus ajuda. Pelo menos já tem nome: “Motes de Aleixo e Glosas de Glarisse. Ah, mas não vai ser obra de valor, e nem parente, como a sua. Lá irá ter se assim acontecer.
Votos de boa saúde, continuidade na escrita e felicidades para a Comarca de Arganil.
Clarisse B. Sanches
PATRÍCIA ABREU PERDEU A VIDA
Em 15 de setembro de 2012
AO SERVIÇO DA NAÇÃO


É triste vermos ir uma BOMBEIRA
Que falece ao serviço da Nação.
Inf’lizmente não é esta a primeira
Que sucumbe nas chamas do Verão!
É triste, muito triste um coração
Faltar numa família aqui da Beira!
Uma jovem que fina no “escaldão”
Posto, quem sabe, por mão traiçoeira!
Ela deixa a Saudade, a sua Vida
Gravada na memória, assim perdida
Duma maneira trágica e fatal!
Chamava-se ela, sim, Patrícia Abreu:
O Senhor nesse dia abriu o Céu
E mandou rosas para Portugal!
Clarisse Barata Sanches
(homenageando a sua memória)
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Ao ter conhecimento que hoje 21 de setembro faleceu mais um Bombeiro de Coja naquele terrivel incêndio que levou a Patrícia, eu não posso deixar de me associar à dor de sua fámilia. Pedro Brito tinha 38 anos e não conseguiu sobreviver no Hospital onde esteve internado.
Que se passa em Portugal com tantos incêncios? Devido, certamente, à falta de amor e dedicação pela Pátria que não é culpada dos erros e descuidos de tantos dos nossos governantes, que hoje precisam de governar o País e não têm dinheiro para pagar as dívidas que não fizeram.
Não a massacrem mais. Somos todos filhos da mesma Pátria que ama a todos por igual e não a quer abandonada à sua sorte. Sejamos magnânimos e dignos das graças de Deus que também sofre vendo Portugal quase todo queimado. O castigo virá para os prevaricadores sem coração. Se não for nesta vida, será na outra.
Que o Senhor encorage estas familias neste momento de transe tão difícil de ultrapassar.
Que Deus salve Portugal dos malfeitores
Clarisse Sanches

POR HUMBERTO PINHO DA SILVA - BLOG PAZ
Correu em Coimbra, o julgamento de menores, envolvidos no abuso sexual a colega de 12 anos.
Trago este caso à presença dos leitores, porque ilustra, e bem, o estado a que chegou a juventude, resultante da lavagem cerebral, que ao longo dos anos a mass-media tem realizado nas camadas mais jovens.
O descuido dos pais, a educação livre de “preconceitos”, tanto do agrado de libertinos, a perda de valores e o ateísmo que campeia na sociedade, incentivado por quem confunde liberdade com libertinagem, leva a casos como este.
Mas vamos aos factos relatados no “Correio da Manhã” de 09/06/2012.
Um jovem torna-se amigo de estudante da escola que frequenta.
A determinado passo, pede à colega, que tem 12 anos, foto ao natural, e ela não viu inconveniência.
Na posse do retrato da menina nua, começa a exigir, sob ameaça de a mostrar a colegas e aos pais, relações sexuais.
Com o andar do tempo, a mocinha viu-se constrangida a aceitar agressões e aceder que as cenas fossem filmadas e assistidas por outros colegas da escola.
Receosa, tudo fazia, até o dinheiro para alimentação, que os pais lhe davam, tiravam-lhe. Desesperada, violada semanalmente pelos colegas, humilhada por todos, terminou por tentar suicídio, cortando-se com vidros.
A vitima - apesar da pouca idade, - também é , a meu ver, responsável, já que achou natural dar a colega, foto em que aparecia nua.
Caso semelhante aconteceu, igualmente, em Coimbra. Interveniente no caso acima descrito, tinha namorada de 14 anos, e como lhe pedisse fotografia, esta entregou-lhe uma em que estava despida.
O resultado foi ser chantageada, e não teve outro remédio senão entregar-lhe corpo e dinheiro.
Casos semelhantes de entrega de fotos sem roupa, chegam ao nosso conhecimento, ocorridos em escolas ou Internet.
Não culpo as jovens, que são vítimas da influência nefasta da televisão. Internet e até da imprensa, que sem pudor, mostra fotos obscenas no “Relax”; e também por “ conselheiras” de revistinhas femininas, verdadeiros antros de perversão de jovens, acicatando-as a entregarem-se ao prazer livre e irresponsável.
As mocinhas, e também rapazes - mormente na puberdade, - são presas fáceis desses torpes verdugos, que as desrespeitam e as animalizam, tornando-as despudoradas, transformando-as em puros objectos de prazer.
Que futuro terá a nossa sociedade? …a mesma, certamente, de todas que descambaram na lama imunda.
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Meu prezado Amigo Humberto.
Infelizmente é a moda que hoje temos em Portugal e no mundo. Ao que chegaremos já se adivinha. Um mundo completamente desprovido de moral e a envergonhar as barbas dos nossos avós já na outra vida. Porque estamos em crise material? , porque estamos num mundo sem vergonha das vergonhas. Tenho saudades dos nossos valores morais que os nossos antepassados nos transmitiram, para que os fossemos mostrando aos vindouros. Que temos hoje como exemplos edificantes para mostrar às crianças do nosso tempo? Uma pura bandalheira por essas ruas além a qualquer hora da noite. Para melhor se identificarem está de novo a casa dos segredos que vai revelando tudo dos pés à cabeça. Quando entrevistam crianças ainda pequenas, não se esquecem de perguntar: Já namoras?. Algumas, coitadinhas, nem sabem. ainda, o que é e ficam envergonhadas.
Os pais deitam tudo para detrás das costas e nem têm freio que nós tinhamos antigamente. Veio também a moda do sair à noite que os pais já não conseguem impedir.Desrespeitam-se os professores e bulham dentro da aula e tudo. Mas segundp li, há agora um regulamento de responsabilizar os pais pela deficiente educação que lhe dão. Uma multazinha de vez em quando também faz bem.
Antigamente no tempo do meu pai que era Regedor. se alguém dizia uma palavra a mais; ele logo repreendia e dizia: não vê que está ali a minha filha? E cada palavra daquelas que se dizem a todo o momento quando pisam um pé, nesse tempo já se pagava de multa 400 escudos com mais cinco tostões.
Agora as maiores é a toda hora. Até na manifestação do Domingo traziam grandes taboletas com as maiores asneiras que conheço. Por aqui já vè o meu amigo como isto anda de moral... É a grande moda!
Se fosse como antigamente, arranjavam muito dinheiro para a crise que não dominam. Primeiro educam-se e depois aguarda-se o resultado.
Por hoje é tudo. Fez bem alertar a sociedade que anda desorientada e talvez com alguma razão. Não temos tido quem nos saiba governar bem.
Boa saúde
Clarisse Sanches
UM EXEMPLO

CARTA DO MARQUÊS - Agosto de 2012
Prezados Amigos
Continuamos com sol e os grandes incêndios a destruírem as nossas matas. Ainda agora ouvi a Sirene dos Bombeiros a tocar. É uma pena! Soube depois que era um enorme incêndio em Figueiró dos Vinhos, onde tinha morrido um Bombeiro numa carrinha em chamas. Que desgraça! Deus abençoe Portugal.
Hoje gostaria de contar um passeio que minha dona Clarisse fez no dia 5 de Agosto que era um Domingo quente também. Havia sido convidada pela Dr.ª Rita Ribeiro a ir assistir a um momento de poesia. Lá foi com a Judite no carro da Célia que não pôde assistir a nada, regressando a casa. Foi, então, numa linda aldeia com casinhas giras feitas de xisto, da freguesia de Góis, de nome Aigra Nova., que dista de Góis 12 quilómetros, apenas. Como faltaram 3 pessoas só dois poetas intervieram. Primeiro falou um poeta que veio dos lados de Mortágua e vira a descrição do acto na Internet. Foi muito aplaudido por os seus poemas defenderam bastante estas terrinhas quase abandonadas o que é uma pena. A entidade que promove estas actividades tem o nome de Lousitânea- Liga dos Amigos da serra da Lousã - Góis. São várias que fazem durante o ano, como caminhadas, esfolhadas na eira, broa cozida no forno como antigamente etc.
Há ali um Museu que tiveram pena de não ver. Mas entraram numa lojinha onde vendem vários produtos da terra. A minha dona comprou lá um queijo e uma colher de pau. Foi bom ver lá livros, que vai resolver mandar para lá alguns. Raro é o dia que ali não apareçam vários turistas que gostam de apreciar as aldeias antigas, quase desertas. Na Aigra Nova vivem agora só 4 pessoas. Dantes havia ali muitas juntas de bois, motivo porque aonde têm a sede chama-se Rua dos Bois, É verdade, elas foram também ver dois burros com muito pelo e vieram duma loja para um terracito para as cumprimentarem. Havia também lá uma cadelinha preta de nome “bonita”, muito simpática que até punha a patinha dela no ombro da Poetisa Clarisse. Foi muito giro aquela distracção com os burros e a cadelinha, todos muito educados. Ainda cumprimentam a gente à moda antiga… Só lhes faltou pedirem-lhes a bênção… A Judite tirou o retrato que vos mando para verem e por isso eu cedi o meu espaço, que fica para a próxima.
Depois no Palco onde havia Um circo para atuar, foi a vez da minha dona dizer os seus poemas, todos a falar das aldeias. Até gostava de ver aqui um, mas não sei se há espaço para isso. Vamos lá ver.
Do Circo elas gostaram imenso. O chefe que é da Chamusca toca muito bem concertina e tinham um bisneto muito pequeno de 5 anos, que se portou lindamente bem e seriamente como um grande actor. Primeiro veio ao palco pintar a cara e pôr um grande nariz. Mas fez muito bem todo o seu papel. Dizem que vai ser um grande artista de Circo. Foram lidos também alguns sonetos do Sr. Prof. Dr. João Castro Nunes que não pôde estar presente.
Tinham também um bom ilusionista que deixou espantadas muitas pessoas. A minha dona até vinha intrigada por não saber bem como ele partia uma pessoa ao meio…Diz ela que até parecia o Luís de Matos, que todos sabem quem é. Estava lá um dia de muito vento que incomodava os artistas no Circo. Depois apareceu lá, o Senhor Victor amigo cá de casa e sua simpática esposa que foi muitos anos emigrante em França, que fez o favor de as trazer até à porta. O nosso bem-haja pela sua gentileza. Como deixou na França uma linda moradia onde vive a sua única filha com dois netos, vai lá muitas vezes. Tem um carro muito bom e vieram todo o caminho a falar da crise. Dizia ele que a China e aquela Ásia toda é que nos vão um dia deixar mais pobres.
Para ficarem a saber quero informar-vos que membros do governo recebem 16.000 euros mensais por em subsídios de alojamento. Um Ministro e 9 secretários de Estado. No total são quase duzentos mil euros por ano. Favas, que é demais!
Tenho que me calar, por aqui não me levam nada e ainda me dão uma comidita ligeira…
Mas já andei mais gordo…
Ontem ouvimos na rádio um senhor ainda novo a dizer que o pai não lhe dava nenhuma mesada quando era mais novo, mas dava-lhe só o necessário para as suas despesas.
Hoje é mesadas, semanadas e não sei que mais exigem…
Se for possível publicarem um dos poemas que leu na Aigra Nova, tendo levada uma salva de palmas especial. Ela não queria que eu contasse isto, mas eu acho muito bem. Eu de versos não percebo patavina… Mas já tenho feito umas cantiguitas.
Saúde para todos --- Marquês
VENHA DAR VIDA ÀS ALDEIAS
Dar vida às aldeias, será bom pensar
Que dantes se viam de verde, florentes,
E dos passarinhos ouvindo o trinar…
Crianças brincando, na rua, contentes!
Saúdam-se amigos e o milho a secar;
Rebanhos com guizos, felizes viventes
Com sacho nos ombros, irão trabalhar,
Deitando na terra precisas sementes…
Que tempo saudoso! Murmuram velhinhos
A terem dos filhos, ternura e carinhos,
E a verem os campos de frutos tão cheios!
Agora, as aldeias, tão sós, não alentam
Sabendo que os homens já não se orientam
Pra terem da terra mais vida e mais meios!
Clarisse Barata Sanches - Góis - Portugal
Por Humberto Pinho da Silva

Diz Lucas (8:19,21), que estando Jesus a ensinar, avizinhou-se Sua Mãe e familiares. Como continuasse a pregar, avisaram-No; mas retorquiu: - “Minha mãe e Meus parentes são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.
Lembrei-me dessa passagem do Evangelho, esta manhã, ao abrir o computador e deparar com mensagens electrónicas de numerosos amigos.
Muitos são de longínquas paragens, mal os conheço, mas diariamente me saúdam, endereçando-me notícias palpitantes, recortes de jornais e PPs curiosíssimos.
Então pus-me a pensar: “ Não serão esses, que nunca se esquecem de enviar o que leram e viram de interessante, e partilham periodicamente, tristezas e alegrias, infortúnios e sucessos, a verdadeira família, os amigos dedicados?”
Há parentes que raramente vejo. Conheço-os porque surgem em casamentos e funerais; alguns moram a escassos quilómetros, mas encontram-se demasiadamente ocupados para indagarem, como me encontro. Depois, não precisam de mim.
Todavia, os virtuais, que moram a milhares de léguas, diariamente presenteiam-me: narram problemas; pedem orações para males, e entristecem-se ao saberem que estou enfermo.
Os laços que nos une, são mais fortes, mais reconfortantes, que vínculos de sangue de parentes, assim como de companheiros de infância ou colegas de escola, que não escrevem, não telefonam, não se preocupam com minhas enxaquecas.
Amiga virtual, distinta escritora, já falecida, confessou-me que todas as noites sentava-se diante do monitor, para desabafar comigo, problemas e consumições.
Em hora de solidão convidou-me para ir visitá-la, na sua bela casa solarenga. Adiei o encontro. Certa manhã recebi mensagem de familiar, dizendo-me que falecera.
Li, não sei onde, que senhora idosa, sem filhos e parentes queridos, resolveu distribuir os bens pelos amigos virtuais. Os únicos que lhe alegraram os últimos anos, já que parentes – em sua opinião, – só apareceriam para farejarem o odor da morte, na esperança de lucro.
Compreendo o gesto generoso, porque parentes e amigos, são aqueles que periodicamente nos visitam e nos dão apoio nas horas amargas. São os que por simples clik, encontram-se pela manhã, prontos para nos dizerem: - Bom dia! Como passa?
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Prezado Amigo Humberto
Muito grata por me ter colocado, no seu interrate Blogue Paz, o meu poema: Crianças são jóias do mundo. Depois hei-de mandar-lhe um soneto "Internet" que também aborda este mesmo assunto. Votos de muito boas férias,
Clarisse Sanches

Humberto Pinho da Silva - Vila N. de Gaia - Porto - Portugal
O matutino de hoje noticia a notável aventura da cadelinha galega, que em terras da Corunha se perdera, e decorrido oito anos, capturada em Trás-os-Montes.
Graças à dedicação do veterinário de Vinhais, a cachorrinha, foi, após aturadas diligencias, identificada. Avisado o dono, caçador desportivo, prontamente a veio buscar.
Diz o repórter, que não foi preciso identificar o proprietário do animal, porque este, logo que o pressentiu, desatou em alegre e festiva correria.
Mais um exemplo, entre muitos, da dedicação canina; animais que nos ensinam significativas lições de amizade e gratidão.
Também João Bosco possuía robusto amigo de quatro patas.
Encontrou-o na rua, em noite escura e fria. Era agigantado, de meter medo, mas acercou-se do santo, tão carinhosamente, que D. Bosco não hesitou adoptá-lo.
O cão, como se sabe, consegue distinguir, nos humanos, sentimentos. É intuição que raras vezes o engana.
O Pardo, ao avizinhar-se do fundador dos Salesianos, reconheceu, por certo, os nobres qualidades do santo.
O companheiro tornou-se não só amigo, mas também protector. Corajosamente o defendeu em situações bem difíceis.
Agora outros exemplos de amizade canina:
Na presença de meu pai, contou-me a Dr.ª Maria da Glória, médica gaiense, que encontrando-se exausta, resolveu descansar na marquise do consultório.
De súbito penetra na sala o cachorro, e insistentemente puxa-lhe, com os dentes, o vestido.
Contrariada, acompanha-o. Mal havia dado escassos passos, desabou, com formidável estrondo, o estuque do teto.
Lembram-se do cão do mítico Ulisses, quando regressou a Ithaca? Nem os familiares o reconheceram, apenas o Argus, ao vê-lo, tão alegre ficou, que morreu de contentamento.
Virgílio, Homero, Sócrates - que jurava pelo seu cão, - e Alexandre Magno, não pouparam, em escritos e palestras, rasgados elogios ao cachorro, que lhe foi dedicado.
Gioto, chegou a imortalizar o cão de guarda, que o acompanhou em verdes anos, na base do campanile de Florença.
E Guilherme Braga e Luiz Guimarães, dedicaram-lhes belos e comoventes poemas. Um ao Sultão; outro, ao Veludo, rafeiro que de cansaço sucumbiu junto ao dono.
Conhece-se os sentimentos caninos pela cauda, agitação e língua (lambendo - sinal de ternura e amizade); já agora, se me permitem, uma curiosidade: só o cão domesticado ladra; e ladra para poder comunicar-se com os humanos.
Não admira, portanto, que os cachorros sejam os únicos animais, que não precisam de trabalhar para serem amados. E são amados, porque amam incondicionalmente a quem lhes mostre carinho. Amam não por interesse nem por medo, mas por amor e gratidão. Qualidades que raramente conhecemos no nosso semelhante.
Humberto Pinho da Silva - Vila N. de Gaia - Porto
Nota: Agradeço e felicito o meu Excelentíssimo Amigo e distinto escritor Humberto Pinho da Silva de Vila Nova de Gaia, pela publicação deste texto no seu interessante blog Paz, que eu não resisti à tentação de o transcrever nos meus Cânticos da Beira.
Também eu já conhecia a história deste cãozinho amoroso de Traz os Montes, que reconheceu o seu dono, vindo de terras de Espanha, após oito anos passados!... Os animais são melhores e mais dedicados do que as pessoas. É triste dizê-lo, mas é pura verdade. Que este texto verídito sirva de lição a quem muitas vezes os despreza e abandona.
C.B.S.

Perto e Próximo
Texto: Teresa Carvalho
Ilustração Mário Linhares
Publicação de Fátima Missionária de Abril
Mónica nunca fora de se lamentar Via as mudanças, mesmo as que não desejava como um novo desafio a vencer e um meio de aprender outras formas de viver. Talvez por isso não se assustou quando teve de sair com os dois filhos, do apartamento onde viviam para um mais barato. Era triste! Mas tudo se resolveria.
Hoje é dia de fazer as mudanças. Mobília e sacos num sobe e desce afogueado trouxeram os novos vizinhos à janela, às escadas, mas ninguém quis saber se Mónica precisava de ajuda. Nem perguntaram o seu nome ou o dos seus filhos. Pereciam quererem investigar, mas não envolver-se. Mónica sabia estar atenta àquilo que se passava ao seu redor. Percebeu que tinha algum contributo a dar naquela indiferença. E começaram já. Com o apartamento organizado, bateu à porta de cada um dos vizinhos do prédio a apresentar-se:
- Olá! Vimos apresentar-nos como os novos vizinhos do terceiro esquerdo. Somos a Mónica, o Marco e a Rita, Gostaríamos que pudessem contar connosco e de podermos contar convosco.
Era o início de uma conversa que após a surpresa inicial, passava a um acolhimento curioso e prolongava-se em troca de informações úteis. Em apenas uma semana, Mónica já trocava um “Bom dia”, senhor Joaquim, como tem passado? “ ou” Olá, Cláudia, bom treino”. Apercebeu-se rapidamente das dificuldades dos seus novos vizinhos. Alguns eram idosos a viverem e a sentirem-se “sós”. Que fazer?
Falou com o responsável e propôs-lhe pensarem em conjunto a solução. Era um assunto invulgar para pensar numa reunião de condomínio. Mas foi mesmo isso que aconteceu. O senhor Luís iniciou a reunião com a sua autoridade habitual:
-Como sabem esta nossa reunião é extraordinária e tem como único assunto: “O meu vizinho e eu”. Temos ouvido na comunicação social que há pessoas que não sabem nem se interessam por quem vive a seu lado e percebemo-nos que isso está a acontecer-nos.
Podemos fazer diferente! Mas o quê? Todos tinham algo a dizer e, desta vez, cada um quis escutar o vizinho, enquanto pessoa. As soluções brotaram, juntamente com afetos, desejos, medos.
Nesse dia, ao anoitecer, todos cumpriram a decisão ali tomada:
“Doravante nenhuma família se deitará sem saber se o vizinho do seu andar está bem”.
E, em Fevereiro quando todos se juntaram no primeiro lanche trimestral do prédio, já ninguém era ou se sentia desconhecido.
As portas à frente e ao lado, antes fechadas e silenciosas, eram agora portos de segurança e partilha no Bloco 105, porque “alguém” soube chegar “próximo”, inventaram-se laços de cuidado que derrubaram um dos piores medos: o “ser só”.
Nota:
Efectivamente,ouve-se muitas vezes dizer, até na Rádio, que muitos vizinhos não se conhecem e a viverem lado a lado. uns com os outros. Uma falta de solidariedade para com os nossos mais perto e mais próximos. Todos precisamos uns dos outros, até, para dar um alerta às Autoridades de que alguém precisa de ser socorrido e a convivência amiga COM TODOS, também é muito preciosa. Deus quer que nos amemos uns aos outros. Nesta Páscoa da Ressurreição vamos todos pensar nisso a fundo. Eu começo por desejar a todos uma santa e feliz Páscoa do Senhor, e desde já ofereço os meus fracos préstimos a quem deles necessitar.
C.B.S.

MOTES DE ALEIXO
E
GLOSAS DE CLARISSE

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