Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

À SOMBRA DO CASTANHEIRO

 

 

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     Do Jornal "O AMIGO DO POVO" de 17 de Maio de 2009

     Diálogo do "Tio Ambrósio" com o Carlos do Cabeço

 

- Mesmo que a gente não queira, temos que falar de política, Tio Ambrósio. Temos aí as eleições à porta e não convém deixarmos que sejam os outros a decidir por nós.

- Pois não, Carlos! E desta feita, são logo três eleições, umas atrás das outras. Quase nem dá tempo de um homem respirar!

E o Tio Ambrósio já pensou a quem é que vai entregar o seu voto?

Tenho andado ocupado com outras coisas. E, se queres que te diga, este ano não vejo o pessoal por aí muito entusiasmado com os actos eleitorais. Talvez as autárquicas venham aquecer o ambiente, mas para já, ao que se refere às europeias, quase não tenho ouvido a opinião de ninguém.

- Eu também estou a ver isto demasiado tranquilo para o meu gosto, Tio Ambrósio! Porque estas coisas só têm alguma piada se houver bordoada de um lado e do outro.

- Assim uns debates inflamados?

- Claro, Tio Ambrósio! Não é que, com isso, eles esclareçam os eleitores seja naquilo que for, Todos nós sabemos bem que o interesse deles não é propriamente o de servirem o povo. Mas, enfim! Ao menos os debates, assim com umas caneladas pelo meio sempre servem para divertir o pessoal. Enquanto nos rimos com as comédias que eles inventam, ao menos esquecemos a crise e as outras muitas agruras que a vida nos traz.

- Eu sei que estás a brincar, Carlos! Os destinos do nosso povo são um assunto demasiado sério para o levarmos em tom de gracejo…

- Isso devia vossemecê dize-lo aos que se apresentam como candidatos, Tio Ambrósio! Eu sei que pode haver alguma honrosa excepção. Mas a absoluta maioria dos que concorrem, fazem-no apenas por interesse próprio. Se assim não fosse, eles andavam à bulha uns com os outros por causa de entrarem na lista em primeiro ou em segundo lugar? Acha, Tio Ambrósio? Vossemecê acha que o doutor Durão Barroso foi para a Europa com a intenção de prestar um serviço ao povo? Desengane-se, homem de Deus! O primeiro interesse de toda essa gente é o de auferirem um vencimento milionário, para alem de verem abrir - se lhes  a porta da oportunidade de futuras jogadas económicas. Vossemecê já viu algum desses que vão para deputados europeus regressar sem apresentar aquilo a que eles próprios chamam de sinais exteriores de riqueza?

- Eu sei que tens alguma razão! Mas também não queiras que homens e mulheres com muitos estudos, com grandes dons de oratória, com dotes especiais para o debate político sejam pagos como qualquer funcionário público. Tem de haver alguma compensação para a qualidade…

- Ponha-me água na fervura, Tio Ambrósio! Eu até aceito! Mas não fico nada convencido! Nem eu, nem os que como eu estão a viver grandes dificuldades económicas…

. Não te queixes, Carlos! Graças a Deus tens o suficiente para levares uma vida digna. Tu e a tua família!

- Bem me sai do corpo, Ti Ambrósio! Muitos dias, quando são cinco da manhã, já eu ando na labuta, a tratar da criação ou a sulfatar a vinha. Vossemecê já viu a diferença?

- Não estou a atingir, Carlos?

- Vossemecê já viu que quando eu, e muitos como eu, nos levantamos para tratar da nossa vida, é que os outros regressam das noitadas? Já viu algum debate político ou parlamentar ter início às oito da manhã? Pois a essa hora já eu levo quase meio-dia de trabalho duro!

- Está bem, Carlos! Tu hoje vens numa de desabafar comigo, deixando transparecer toda a tua indignação perante o modo como vivem aqueles que representam e que governam o nosso povo. Estás no teu pleno direito!

- E sabe o que mais me choca, Tio Ambrósio?

- Diz lá, Carlos!

- O que mais me choca é não ver o mais pequeno sinal de solidariedade desses barões e baronesas da política perante o sofrimento dos mais pequenos e necessitados. Está muita gente com a corda na garganta, sem trabalho, sem meios para pagarem o que devem… e os que vão ser deputados europeus verão o seu vencimento aumentado quase para o dobro, sempre pago a tempo e horas, sem falar nas alcavalas do costume, como sejam viagens semanais pagas cartão de crédito, telemóvel sem limite de uso, e por aí fora! Afinal, onde está a solidariedade para com aqueles que sofrem? E depois, admiram-se que haja uma abstenção de sessenta ou setenta por cento! Pudera! Essa é a única maneira que o povo tem para demonstrar o seu descontentamento. Eu quase diria que o absentismo é uma forma de o povo dizer aos políticos que, em vez de votos nas urnas eleitorais, lhes dão um voto de desprezo. Amor, com amor se paga!

- Não te esqueças que nós somos cristãos, Carlos!

- Chame-me á razão, Tio, Ambrósio! Mas há alturas em que não posso abafar o descontentamento e comportar-me como se à nossa volta não houvesse desigualdades gritantes. Enquanto cada cidadão não tiver o mínimo para viver com dignidade, eu acho-me no direito de me indignar com os que dizem que representam o povo, que se preocupam com os problemas, mas, afinal, o que fazem é viver regaladamente à custa do povo.

- Desabafaste. Está desabafado, Carlos!

 .......................................................................

Dedico esta transcrição ao prezado Amigo e distinto Poeta e Prof, Renã Leite Pontes, de Acre- Brasil, que brevemente apresentará o seu novo livro "Diálogos (An) Versos", cuja capa é espectacular, pintada à mão por artistas de renome, Singular obra que tratará de renovado anseio d'alma de ver tantas diferenças e deminuição de injustiça social no mundo. Este livro encerrerá alguns sonetos meus e umas simples palavras em prosa.

Aguardamos  esta obra com muita ansiedade, vinda de Acre - Amazónia Brasileira, onde  o Excelentíssimo Autor reside.

C.B.S.

 

 


publicado por canticosdabeira às 11:23
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3 comentários:
De Azoriana a 19 de Maio de 2009 às 17:44
Está tudo a desaparecer e a crise a aumentar. O que será do mundo daqui a nada?
Eu que já sentia a crise há bastante tempo agora sinto-a a doer. E porquê? Porque na conversão do escudo para o euro as contas foram a dobrar: o que custava 100 escudos passou a custar 2 euros, que são 200 escudos. Esse foi o grande erro de cálculo. Quando será que alguém se lembra reduzir os preços ou aumentar os salários dos que recebem menos?
E fico por aqui.
Beijinhos


De aldeiashistoricasdeportugal a 20 de Maio de 2009 às 10:12
Olá Clarisse! É com prazer que descubro o seu blogue! Quero dar-lhe os parabéns por dar a conhecer pedaços lindíssimos do nossos país, especialmente da Beira.

Eu também procuro fazer algo semelhantes com as aldeias Históricas de Portugal. Conhece? Todas as segundas -feiras faço uma viagem a uma das Aldeias Históricas de Portugal. A próxima semana vou deixar Almeida para seguir em direcção a Castelo Mendo. Convido-a a viajar connosco para conhecer recantos belíssimos destas aldeias. Proponho ainda uma troca de links para que mais pessoas conheçam os blogues

Fico a aguardar pela sua visita.

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Olá Clarisse! É com prazer que descubro o seu blogue! Quero dar-lhe os parabéns por dar a conhecer pedaços lindíssimos do nossos país, especialmente da Beira. <BR><BR>Eu também procuro fazer algo semelhantes com as aldeias Históricas de Portugal. Conhece? Todas as segundas -feiras faço uma viagem a uma das Aldeias Históricas de Portugal. A próxima semana vou deixar Almeida para seguir em direcção a Castelo Mendo. Convido-a a viajar connosco para conhecer recantos belíssimos destas aldeias. Proponho ainda uma troca de links para que mais pessoas conheçam os blogues <BR><BR>Fico a aguardar pela sua visita. <BR><BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Bjs</A> Susana<img src="//blogs.sapo.pt/images/mood/EMOTICON_BLINK.png">


De canticosdabeira a 20 de Maio de 2009 às 17:32
Vivam: As Aldeias Históricas de Portugal
Como deu erro e ficou duplicado, agradecia o favor de excluir o de baixo.
Muito obrigada pela atenção. Podemos sim, trocar links.
Os melhores cumprimentos.
Clarisse


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Ao ler tamanha beleza...
Não é frio, concerteza,
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Beijadas por andorinhas,
Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

Solta-se o “Grito de Paz”,
E ninguém mais o desfaz
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Rosa Silva (“Azoriana”)
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2008/04/07

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