ESCRITO POR UM CÃO DE NOME "CONTENTE"
E
Eu nasci frágil, muito “bebezinho”.
Já tenho uma semana, estou contente!
Por ter a minha mãe e com carinho
A dar-me do seu leite, puro e quente.
Fiz agora dois meses, todavia,
Separaram-me já da minha mãe
Que ficou sem um naco de alegria,
Quando me viu a ter de entrar no trem.
Tenho nova família, com crianças,
Que gostam de brincar; são amiguinhos.
A puxarem meu rabo nas folganças,
Como sejamos todos irmãozinhos.
Com três meses, aflito fiz chichi
Aonde durmo no hall da entrada;
Ralhou-me a minha dona, mas ali
E não vi o banheiro, não vi nada…
Contudo, penso que gostam de mim
Rapo na terra como antigamente
Faziam outros, lá pelo jardim,
Mas dizem que cresci rapidamente.
Hoje, fazendo um ano, sou adulto
E puseram-me o nome de “Contente”.
Nome que até eu acho seja insulto.
Pois prenderam-me já numa corrente
Quase não posso me mexer, assim,
Nem um raio de Sol vou apanhar
E dizem que irão pôr o olho em mim,
Se me atrevo a sair do meu lugar.
Dezasseis meses na varanda e só,
Esquecem-se de mim. Que triste sorte!
Às vezes passo fome, não há dó,
Sede e ao frio, vale mais a morte.
Ah, mas hoje senti-me satisfeito
Que até meu rabo se pôs a abanar…
Pensei que arrependidos do mal feito,
Eles iam levar-me a passear.
E lá fomos de carro pra “gozar”
E numa estrada fazem-me sair…
E eu muito contente a saltitar,
Só vejo o carro a andar e a fugir…
Atrás dele a correr e já cansado,
Dizia: - ai, que se esqueceram de mim.
Sem fôlego, triste e tão desanimado
Por um caminho fora, mas por fim
Tive que me deitar perto da estrada,
Onde havia uma Escola e eu notei
Crianças e rapazes à pedrada
Por tal, sem uma vista eu fiquei.

Eu queria andar, após ter descansado,
Mas a força que tinha me fugiu.
E por isso inda fui atropelado
E o condutor, patife, inda se riu.
Andei dias perdidos pela serra;
Uns diziam assim: - é cão vadio,
Que siga, então e já pra sua terra;
Outros: - coitado! Passa fome e frio!
Minhas patas traseiras já não vão
E já não sou capaz de me mexer.
Sinto-me mal, o pelo cai no chão,
Que até ninguém já gosta de me ver.
Inconsciente, já nem abro a vista,
Mas eu ouço a doçura duma fala,
Que ao ver-me assim, e sendo moralista
Volve: - que desumanos! Isto me abala!
Senhor de bata branca toca em mim,
Dizendo: – nada mais há que fazer!
Ela quase a chorar, só diz assim:
Pobrezinho animal, terá que ser…
Olhei-a agradecido e me mexi
Por me ter ajudado a descansar…
Uma picada apenas eu senti,
E logo terminou o meu penar!
oooooooooooooooooooooooooooo
Veja só esta ternura de dois gatinhos
Ajude a consciência das pessoas
A não tratarem mal os animais.
Sejamos todos, sim, pessoas boas,
De aberto coração e racionais!
Cãezinhos e gatinhos não têm voz
Que seja clara e bem compreensiva;
Mas têm sentimentos como nós
E como a flor de nome sensitiva!...
Efectivamente, os animais são melhores do que as pessoas.
C.B.S.

MOTES DE ALEIXO
E
GLOSAS DE CLARISSE

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