Sexta-feira, 27 de Março de 2009

O MEU DIÁRIO

 

 Ver imagem em tamanho real       ESCRITO POR UM CÃO DE NOME "CONTENTE"

 

 

      

E

Eu nasci frágil, muito “bebezinho”.

Já tenho uma semana, estou contente!

Por ter a minha mãe e com carinho

A dar-me do seu leite, puro e quente.

 

                              Fiz agora dois meses, todavia,

                    Separaram-me já da minha mãe

                    Que ficou sem um naco de alegria,

                    Quando me viu a ter de entrar no trem.

 

Tenho nova família, com crianças,

Que gostam de brincar; são amiguinhos.

A puxarem meu rabo nas folganças,

Como sejamos todos irmãozinhos.

 

                  Com três meses, aflito fiz chichi

                   Aonde durmo no hall da entrada;

                   Ralhou-me a minha dona, mas ali

                   E não vi o banheiro, não vi nada 

 

 

 Contudo, penso que gostam de mim

 Rapo na terra como antigamente

 Faziam outros, lá pelo jardim,

 Mas dizem que cresci rapidamente.

 

 

                     Hoje, fazendo um ano, sou adulto

                  E puseram-me o nome de “Contente”.

                  Nome que até eu acho seja insulto.

                  Pois prenderam-me já numa corrente

 

                    

 

Quase não posso me mexer, assim,

Nem um raio de Sol vou apanhar

E dizem que irão pôr o olho em mim,

Se me atrevo a sair do meu lugar.

 

                  Dezasseis meses na varanda e só,

               Esquecem-se de mim. Que triste sorte!

               Às vezes passo fome, não há dó,

               Sede e ao frio, vale mais a morte.

 

Ah, mas hoje senti-me satisfeito

Que até meu rabo se pôs a abanar…

Pensei que arrependidos do mal feito,

Eles iam levar-me a passear.

 

                  E lá fomos de carro pra “gozar”

               E numa estrada fazem-me sair…

               E eu muito contente a saltitar,

               Só vejo o carro a andar e a fugir…

 

Atrás dele a correr e já cansado,

Dizia: - ai, que se esqueceram de mim.

Sem fôlego, triste e tão desanimado

Por um caminho fora, mas por fim

 

                 Tive que me deitar perto da estrada,

               Onde havia uma Escola e eu notei

               Crianças e rapazes à pedrada

               Por tal, sem uma vista eu fiquei.

 

Ver imagem em tamanho real

    

 

Eu queria andar, após ter descansado,

Mas a força que tinha me fugiu.

E por isso inda fui atropelado

E o condutor, patife, inda se riu.

 

             Andei dias perdidos pela serra;

           Uns diziam assim: - é cão vadio,

           Que siga, então e já pra sua terra;

           Outros: - coitado! Passa fome e frio!

 

Minhas patas traseiras já não vão

E já não sou capaz de me mexer.

Sinto-me mal, o pelo cai no chão,

Que até ninguém já gosta de me ver.

 

             Inconsciente, já nem abro a vista,

           Mas eu ouço a doçura duma fala,

           Que ao ver-me assim, e sendo moralista

           Volve: - que desumanos! Isto me abala!

 

Senhor de bata branca toca em mim,

Dizendo: – nada mais há que fazer!

Ela quase a chorar, só diz assim:

Pobrezinho animal, terá que ser…

 

              Olhei-a agradecido e me mexi

            Por me ter ajudado a descansar…

            Uma picada apenas eu senti,

            E logo terminou o meu penar!

 

 

 

              

 

 oooooooooooooooooooooooooooo

                 Veja só esta ternura de dois gatinhos

       http://gaticha.blogs.sapo.pt/10115.html       

Ajude a  consciência das pessoas     

A não tratarem mal os animais.

Sejamos todos, sim, pessoas boas,

De aberto coração e racionais!

 

Cãezinhos e gatinhos não têm voz

Que seja clara e bem compreensiva;

Mas têm sentimentos como nós

E como a flor de nome sensitiva!... 

 

 

Efectivamente, os animais são melhores do que as pessoas.

 C.B.S.


publicado por canticosdabeira às 11:37
link do post | comentar | favorito
1 comentário:
De Rosa Silva ("Azoriana") a 31 de Março de 2009 às 11:37
Uma história comovente
Da vida do cão “Contente”:
Quem me dera a versão
Dos donos da triste acção.

Vê-se que há crise animal
Que se sente por igual:
É que para o sustentar
Algo mais se vai gastar.

Lembro, então, do meu Leão,
Quando lhe dei atenção:
No colo, tão pequenino,
Parecia o meu “menino”.

Tal como a gente, eles crescem,
E também desobedecem,
Há que lhes dar bom ensino,
E não lhes dar mau destino.

Para fome não passar,
E de frio não rosnar,
Há que inventar soluções
E miminhos aos serões.

Não se deve abandonar
Quem por nós quer zelar;
Mas se minga a iguaria
Ajudar melhor seria.

Crianças e animais,
E quem já não pode mais
Devem ter uma garantia
De um “naco de pão” por dia.

Se antes eu nem gostava
E dos cães eu nem falava…
Agora até percebi
O que de fundo senti.

Entendo só que a pobreza
Cause a dor e tal fraqueza…
Mas deixar ao abandono
Deve doer muito ao dono.

Porque um animal não fala,
Mas seu olhar nos abala.
E digo, de coração,
Gosto muito do meu cão!


Comentar post

Sobre a autora

Novidades

MOTES DE ALEIXO
E
GLOSAS DE CLARISSE

Selo do Blog


Clarisse Barata Sanches

(Usa Ctrl+C p/copiar
e Ctrl+V p/colar
o selo no seu blog)

Prosa e poesia (por título)

Homenagem póstuma - Datas...

Tributo a Góis e seus Poe...

CONSOLAÇÃO

Carta do Marquês. Nov2014

LÁGRIMAS OCULTAS

PASSANTES DA TERRA

TODA ESTA NOITE UM ROUXIN...

SAUDADES E LEMBRANÇAS

QUARENTA ANOS DE DEMOCRAC...

SAUDADES TENHO, SIM, DO N...

Prosa e Poesia (por mês)

links

favoritos

A PÁTRIA PORTUGUESA

Outras visitas


Prosa e Poesia (Meus Livros)



Clarisse Barata Sanches
Mais de 12 livros publicados:

Primeiro livro
Cantei ao Céu e à Terra
1983
(Poesias)

Segundo livro
Gracita Flor da Saudade
1985
(Poesias e Memórias)

Terceiro livro
Luz no Presépio
1985
(Poesias)

Quarto livro
Quadras do Meu Outono
1989
(Poesias)

Quinto livro
Hinos da Tarde
1994
(Poesias)

Sexto livro
Arca de Lembranças
1997
(Memórias)

Sétimo livro
Cartas para o Céu
1998
(Poesias)

Oitavo livro
Góis e Seus Poetas
1999
(Poesias - Antologia)

Nono livro
Góis e Seus Poetas
2000
(Poesias - Antologia)

Décimo livro
Murmúrios do Ceira
2002
(Contos e Narrativas)

Décimo primeiro livro
Sonhos da Alma
2004
(Sonetos)

Décimo segundo livro
Rosários de Amor
2008
(Poesias)

Motes de Aleixo e Glosas de Clarisse

Prosa e Poesia (Pesquisa)

 

De Clarisse Barata Sanches

Rosários de Amor

Dedicatória:
Aos “Rosários de Amor”


Boa amiga Clarisse,
Converti-me aos seus Amores.
São lindos os versos-flores!
Chorei... Queria eu que visse...

Não sei que “frio” me toma,
Ao ler tamanha beleza...
Não é frio, com certeza,
É o amor que me assoma.

Beijadas por andorinhas,
Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

Solta-se o “Grito de Paz”,
E ninguém mais o desfaz
Nos ”Rosários de Amor”.

Rosa Silva (“Azoriana”)
Angra do Heroísmo
2008/04/07

SAPO Blogs
RSS