Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

UM SONETO PARA MACHADO DE ASSIS

 

O Concurso Litarário Um Soneto para Machado de Assis, nasceu em meio às comemorações do centenário da morte do primeiro  presidente da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis.

Seu objetivo era fazer com que novos ou veteranos escritores brasileiros completassem os doze versos faltosos do soneto machadiano deixados em aberto no romance "Dom Casmurro", em seu Capítulo LV, "Um Soneto". Esse soneto incompleto tinha como primeiro verso "Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!" e, como último, "Perde.se a vida, ganha-se a batalha!".

Para que possa compreender a amplitude da proposta do concurso, recorde o trecho de "Dom Casmurro" onde o personagem Bentinho tenta escrever o soneto.

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Ao longo do período de inscrição, foram recebidos 1.388 sonetos, com a participação de 924 autores. Destes foram seleccionados 110 sonetos para o publicação de uma Antologia: "UM SONETO PARA MACHADO DE ASSIS"tendo o meu ficado 21º lugar. Perdôem-me a lisonja, mas francamente dizendo, gosto mais do meu., que aqui deixo à vossa apreciação. ao qual lhe dei o nome: "Quero Apertar-te a Mão". C.B.S. 

                                                                                   

                              Joaquim Maria Machado de Assis

                                                                                   

 

            QUERO APERTAR-TE A MÃO

 

 Oh! Flor do Céu! Oh! Flor cândida e pura!

Agora, ao ver -te linda no Senhor,

            Tal como estejas viva, meu Amor,

            Não sei por quê, mas sinto-te a ternura!

 

 

            Fecho os meus olhos para ver-te a cor

            Da tua face rosa que perdura

            Dentro da minha alma, em amargura,

            Que não crê que me deixes nesta dor!

 

 

           Quero apertar-te a mão para aquecê-la,

           A minha sei que Deus te deixa vê-la,

           Mesmo que esteja erguida uma muralha…

 

 

           Se a Fé move montanhas, quero crer

           Que no País da luz te vou rever:

           Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

 

C.B.S.

 

Após ter recebido do Brasil os livros encomendados fiz outra versão do mesmo soneto, que aqui deixo também para recordação e quero dizer que gosto mais do primeiro. A inspiração nem sempre está de bom vento...

 

 

                                              

 

 

                                     Oh! FLOR! CÂNDIDA FLOR

 

 

   Oh! Flor do Céu! Oh! Flor cândida e pura,

 

  Vives na minha mente a toda a hora!

  E quando chega a noite, à luz da aurora,

  Mato a Saudade e sabe-me a doçura!

 

  A noite é sempre linda na procura;

  E vejo-te a "sonhar..." Lá és mentora!

  Ali damos abraços, noite fora,

  Mas acordo a tremer: amor-fervura!

 

 Oh! Flor! Cândida flor, chama por mim,

 E manda, já, buscar-me um querubim

 Ou a Virgem num manto que agasalha...

 

 Deus não pode querer-nos separados

 E se a bênção nos une e fez casados,

 Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

 

 C.B.S.


publicado por canticosdabeira às 15:27
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1 comentário:
De Victor A. P. Mansueli a 28 de Janeiro de 2013 às 13:27
Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!
Que em virginais noites de desejo afloras
Derramai-me teu calor nos lábios d'aurora
Vista-me com tua mais nobre formosura.

Oh! flor do céu! oh! flor de fulgor e doçura!
Que em pedaços meu coração devoras,
Trazei-me novamente os sonhos de outrora
Tirai-me dos olhos as lágrimas d'amargura.

Mas, se em algum momento, a tristeza
Moldada pelo orgulho, teu coração enxovalha,
Livrai-me da angústia da incerteza

Pois, se o amor ou cousa que o valha
Não for correspondido em sua beleza,
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!


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Ao ler tamanha beleza...
Não é frio, concerteza,
É o amor que me assoma.

Beijadas por andorinhas,
Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

Solta-se o “Grito de Paz”,
E ninguém mais o desfaz
Nos ”Rosários de Amor”.

Rosa Silva (“Azoriana”)
Angra do Heroísmo
2008/04/07

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