Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

NA MINHA VELHA LAREIRA

                                    

            HAVIA LIÇÕES DE AMOR...

 

                                 

                                        ( À saudosa memória do meu pai)

 

Na minha velha lareira

De fumo negro, mas terno,

Olhava aquela fogueira

Como doce companheira

Nas noites frias de Inverno.

 

        Com os meus pais, meu irmão,

        Jamais estávamos sós;

        Havia alegre serão,

        Sopinha boa com pão,

        E o lugar dos meus avós.

 

Que dos anos esquecidos,

Do meio-dia à tardinha,

‘Stavam ali entretidos

A mirar os netos qu’ridos,

Sobres as tábuas da cozinha.

 

       Parece que estou a ouvir

      O meu pai, vezes a fio:

       - Augusto vai tu dormir

      Com o avô, e abrir

      A cama que ele tem frio.

 

Os velhinhos, como vês,

Necessitam de carinhos;

Que se lhe aqueçam os pés,

Se confortem muita vez,

Que é grato termos paizinhos.

 

      Na minha velha lareira,

      Era assim em seu redor.

      Á noite, ao fim da canseira

      E à luz da chama fagueira,

      Havia lições de amor!

 C.B.S.

"In Cantei ao Céu e à Terra"

 ......................................................................

A verdadeira felicidade está na própria casa entre as alegrias da família. Léon Tolstoi.

 Os valores morais são a maior riqueza, que os filhos possam herdar dos seus pais. C.B.S.

A família é uma árvore que não se quer destruída, mas acarinhada. C.B.S.


publicado por canticosdabeira às 11:50
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3 comentários:
De Rosa Silva ("Azoriana") a 19 de Fevereiro de 2009 às 17:14
E vestidos de ternura
Estão todos os seus versos...
Vejo, além, tanta doçura
Nesses actos já dispersos.
São dispersos do actual
Viver da humanidade;
Deus abençoe afinal
Toda a nossa sociedade.

Os avós, pais e irmãos,
Sejam fonte de lembrança,
Dêem todos suas mãos
Se na vida tem esperança;
A labuta em que se vive,
Não dá para muito mais,
Há ainda quem sobrevive
Em doses desiguais.

Haja a oportunidade,
De zelar pelos velhinhos,
Que na sua tenra idade
Tiveram melhores carinhos.
Há que dar-lhes atenção,
Pese embora a precaridade,
E a falta de vocação
Em seguir com a caridade.

Eu não estou a criticar,
Porque também o mereço;
Eu também não vou ficar
Eu também desapareço;
E meus filhos seguirão,
Com alguma inquietude,
Pois também não manterão
Sempre ares de juventude.

Beijinhos


De canticosdabeira a 19 de Fevereiro de 2009 às 23:52

Amiga Rosa Maria

Obrigada pela sua atenção
Admito a energia
E a tamanha inspiração
Para fazer poesia.

Parece uma fábrica em plena laboração
A crise ainda não chegou aos Açores?

Um abraço amigo
e beijos para todos, não esquecendo o Leão
Clarisse

Góis, 19 de o2/2009 Faz hoje anos que a minha mãe estava de parto...


De Rosa Silva ("Azoriana") a 20 de Fevereiro de 2009 às 12:25
Então muitos parabéns a recém-nascida tão querida :)
Beijinhos e o Carnaval como é por Góis? Conte-me tudo e quem sabe ainda nasce tema para um Bailinho.
Não esqueça de ver as nossas Danças de Carnaval pela internet na www.tvazores.com a partir de amanhã.


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Dedicatória:
Aos “Rosários de Amor”


Boa amiga Clarisse,
Converti-me aos seus Amores.
São lindos os versos-flores!
Chorei... Queria eu que visse...

Não sei que “frio” me toma,
Ao ler tamanha beleza...
Não é frio, com certeza,
É o amor que me assoma.

Beijadas por andorinhas,
Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

Solta-se o “Grito de Paz”,
E ninguém mais o desfaz
Nos ”Rosários de Amor”.

Rosa Silva (“Azoriana”)
Angra do Heroísmo
2008/04/07

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