Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

RESPEITO E PROTECÇÃO PELA TERCEIRA IDADE

Por Adelino Azevedo Pinto “Rijo” Saudoso Amigo e Distinto  Poeta, de Viseu.

(Este interessante artigo já foi escrito há anos no jornal “Notícias de Viseu. Mas, ainda, muito actual., infelizmente.)

 

A velhice é uma doença cronológica que nem toda a gente tem a felicidade de a “contrair”, uma vez que muitos, em plena mocidade ficam pelo caminho da vida.

 Os produtos farmacológicos, descobertos nestas últimas décadas, vieram prolongar a existência da velhice. Uma vez que a pneumonia já não é – como dizia um professor francês – “A morte natural dos velhos”.

Nestes últimos anos inventou-se a sofisticada designação de pessoas de “terceira idade”…

São, sem dúvida, muito numerosas as pessoas de avançada idade, que se vêem nos dias presentes. Mas os que lá chegam já não encontra o mínimo de carinho e de respeito à sua volta, como usufruíam os “velhinhos”de antigamente.

Os “velhotes” de agora são, geralmente “cartas fora do baralho”.

Embora nós nos neguemos a “envelhecer por dentro” não podemos deixar fugir aos fundos sulcos os estragos exteriores que “mumificam”.

Isso basta para estarmos em condições de ruínas físicas que nos proporcionam os maiores insultos dos que consideram que já cá andamos a estorvar.

E nessa enxurrada de “piropos” nunca falta a interjeição admirativa de “Olha o velho”…

O “crime” de se ter chegado á velhice é constantemente punido, nos dias de hoje, com palavrões ofensivos e atropelos desrespeitosos. Dá – se – lhes mesmo a entender que andam cá por esmola e não faltam mesmo os que apregoam que neles se aplique a “caridade da eutanásia”.

O interesse mostrado pelos poderes públicos de terem vindo a festejar à grande o Ano Internacional da Criança não causa ciúmes aos velhos, mas dá-lhes o direito de que apontem a grande diferença de tratamento. E “segunda meninice” também quer carinhos e amparos.

No único Lar que aqui temos para a “terceira idade”, a repulsa que inspiram os velhos até já se manifestou criminosamente! As duas internadas de lá, talvez por estorvarem, a alguém… uma foi morta à facada e outra barbaramente atacada com igual instrumento. Crimes desta natureza cremos que nunca se deram em nenhuma creche.

Diga-se com toda a justiça que este desabafo não representa queixas próprias, pois felizmente, excepcionais condições familiares levam – nos a esquecer os estragos dos anos. O nosso objectivo principal é alertar a necessidade imperiosa que se faz sentir nesta cidade de se construir um”gerontocómio” (palavra mais bonita do que Lar de velhos), onde haja comodidade e carinho. Não se dêem condições de abandono aos que até pedem para que “Deus os leve”.

O desinteresse que lhes dispensam os que mandam dá – nos a ideia de que pensam que nem lá chegam…

E a velhice não pode ser considerada um “castigo” do tempo, mas sim e com justiça um prémio da Providência que lhe dispensou muitos amparos.

Basta de insuflar os velhos só pela caturrice de eles já não terem morrido. Faça-se por eles mais alguma coisa do que aquilo que têm merecido até agora.

Os que vierem a alcançar essa meta distante da vida que se penitenciem das irreverências de agora.

“Elas cá se fazem cá se pagam…”

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publicado por canticosdabeira às 19:38
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Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

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Nos ”Rosários de Amor”.

Rosa Silva (“Azoriana”)
Angra do Heroísmo
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