Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013

AMIZADE OU INTERESSE

   

 

 

 

           POR AMIZADE OU INTERESSE ? 

 

                                                         Humberto Pinho da Silva 

Lamentava-se senhora alentejana que o sobrinho, que tão amigo era dela, em criança, logo que entrou na universidade, deixou de lhe escrever e visitar.

Consolando-a, amiga confidente, dizia-lhe que isso seria motivo de alegria: pois era sinal que nada lhe faltava.

Esse lamento, lembrou-me a velha historieta do jovem que estudava em Coimbra, e não respondia às cartas do pai, lavrador abastado, que mourejava a terra desde a puberdade. Contando, muito contristado, o ingrato comportamento do filho, no boteco da aldeia, entre amigos mais íntimos, um, prontamente o aconselhou:

- “A culpa é de Vossa Senhoria. Escreva-lhe, dizendo, que junto com a carta, segue nota de cem euros, mas não a meta. Verá que pela volta do correio receberá carta afetuosa”.

Assim aconteceu. Dentro de dias entregaram-lhe missiva reclamando a nota. Não sei se será egoísmo ou desprezo, a atitude de muitos, de só se abeirarem de familiares e amigos de infância, quando se lembram que estes lhes podem ser úteis, para realizarem o tal jeitinho, que facilita a entrada no emprego ou passagem no exame.

Digo não sei, porque a amizade devia ser cultivada, mormente por aqueles que receberam carinho desinteressado, na infância. Disse um dia que o sentimento que mais fere é o da ingratidão, e julgo que disse bem, porque não há maior afronta, apartar-se de alguém, porque já não se precisa dele.

Há parentes que moram a poucos passos uns dos outros e só se veem nos atos solenes: batizados, casamentos e funerais, ou quando se recordam que lhes podem ser úteis. Há amigos que raramente se carteiam, mesmo em dias festivos, e nem pela Internet se dão ao incómodo de agradecer a gentileza de lhe terem enviado foto ou bilhetinho a transbordar de ternura.

Declaram que têm vida muito ocupada - os afazeres nem lhes permite conviverem com os filhos. Mas não recusam jantares com “ importantes”, nem deixam de viajar em fins-de-semana,.. Há tempo para tudo, mas não há para conviverem, quando o parente ou amigo, é pobre ou não lhes pode ser útil.

Para eles, a amizade, é meio de adquirirem influência.

Meu pai tinha um amigo, que visitava frequentemente. Um dia ficou internado em Casa de Saúde, a poucos metros da residência do companheiro. Pois, este, não conseguiu encontrar tempo para o visitar.

Certamente dizia lá para consigo: Para quê? Está gravemente doente, à porta da morte. Já não serve para nada, nem para mencionar o meu nome na coluna do jornal. - meu pai era jornalista.

Como os homens são ingratos, bem diferentes dos cachorros, que amam aqueles que com eles convivem, mesmo quando caiem em desgraça ou se afastam por longo tempo.

……………………………………………………………………………………………………………………………….

Muitos parabéns, amigo Humberto Pinho por ter escrito e bem, este texto que muita gente poderá enfiar na cabeça. Por aqui, infelizmente há muito disso. Estando servidos, já pouco ligam a quem lhe fez benfeitorias e nem juros pagam. Quando precisam oferecem este mundo e outro, mas depois de servidos viram o rabo…, já não ligam meia. Infelizmente também estou na onda… Conheço bem o que isso é.

 

                                                        Clarisse Barata Sanches

   


publicado por canticosdabeira às 15:35
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1 comentário:
De Azoriana a 24 de Dezembro de 2013 às 18:45
Boa amiga Clarisse Barata Sanches,

Esta carta que lhe escrevo
No dia da Consoada
É por achar que lhe devo
Uma palavra dedicada.

Querida amiga do bem,
Dos louvores e da virtude,
Seja esta data também
Para si de muita saúde.

Que o Menino de Belém
Lhe aqueça o coração
Sorria como convém
A todo o povo cristão.

Um abraço de amizade
Muito forte, apertado,
Para uma amiga que há de
Estar sempre do meu lado.

Feliz Natal e um Ano com melhores condições de subsistência.
Um beijinho para si e outro para a Judite.

Rosa Maria Silva


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Ao ler tamanha beleza...
Não é frio, concerteza,
É o amor que me assoma.

Beijadas por andorinhas,
Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

Solta-se o “Grito de Paz”,
E ninguém mais o desfaz
Nos ”Rosários de Amor”.

Rosa Silva (“Azoriana”)
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