Domingo, 2 de Setembro de 2012

VISITA À AIGRA

 

    Visita à Aigra

                                              

 

 

CARTA DO MARQUÊS - Agosto de 2012

 

 

Prezados Amigos

Continuamos com sol e os grandes incêndios a destruírem as nossas matas. Ainda agora ouvi a Sirene dos Bombeiros a tocar. É uma pena! Soube depois que era um enorme incêndio em Figueiró dos Vinhos, onde tinha morrido um Bombeiro numa carrinha em chamas. Que desgraça! Deus abençoe Portugal

Hoje gostaria de contar um passeio que minha dona Clarisse fez no dia 5 de Agosto que era um Domingo quente também. Havia sido convidada pela Dr.ª Rita Ribeiro a ir assistir a um momento de poesia. Lá foi com a Judite no carro da Célia que não pôde assistir a nada, regressando a casa. Foi, então, numa linda aldeia com casinhas giras feitas de xisto, da freguesia de Góis, de nome Aigra Nova., que dista de Góis 12 quilómetros, apenas. Como faltaram 3 pessoas só dois poetas intervieram. Primeiro falou um poeta que veio dos lados de Mortágua e vira a descrição do acto na Internet. Foi muito aplaudido por os seus poemas defenderam bastante estas terrinhas quase abandonadas o que é uma pena. A entidade que promove estas actividades tem o nome de Lousitânea- Liga dos Amigos da serra da Lousã - Góis. São várias que fazem durante o ano, como caminhadas, esfolhadas na eira, broa cozida no forno como antigamente etc.

Há ali um Museu que tiveram pena de não ver. Mas entraram numa lojinha onde vendem vários produtos da terra. A minha dona comprou lá um queijo e uma colher de pau. Foi bom ver lá livros, que vai resolver mandar para lá alguns. Raro é o dia que ali não apareçam vários turistas que gostam de apreciar as aldeias antigas, quase desertas. Na Aigra Nova vivem agora só 4 pessoas. Dantes havia ali muitas juntas de bois, motivo porque aonde têm a sede chama-se Rua dos Bois, É verdade, elas foram também ver dois burros com muito pelo e vieram duma loja para um terracito para as cumprimentarem. Havia também lá uma cadelinha preta de nome “bonita”, muito simpática que até punha a patinha dela no ombro da Poetisa Clarisse. Foi muito giro aquela distracção com os burros e a cadelinha, todos muito educados. Ainda cumprimentam a gente à moda antiga… Só lhes faltou pedirem-lhes a bênção… A Judite tirou o retrato que vos mando para verem e por isso eu cedi o meu espaço, que fica para a próxima.

 

Depois no Palco onde havia Um circo para atuar, foi a vez da minha dona dizer os seus poemas, todos a falar das aldeias. Até gostava de ver aqui um, mas não sei se há espaço para isso. Vamos lá ver.

Do Circo elas gostaram imenso. O chefe que é da Chamusca toca muito bem concertina e tinham um bisneto muito pequeno de 5 anos, que se portou lindamente bem e seriamente como um grande actor. Primeiro veio ao palco pintar a cara e pôr um grande nariz. Mas fez muito bem todo o seu papel. Dizem que vai ser um grande artista de Circo. Foram lidos também alguns sonetos do Sr. Prof. Dr. João Castro Nunes que não pôde estar presente.

 

Tinham também um bom ilusionista que deixou espantadas muitas pessoas. A minha dona até vinha intrigada por não saber bem como ele partia uma pessoa ao meio…Diz ela que até parecia o Luís de Matos, que todos sabem quem é. Estava lá um dia de muito vento que

 

Incomodava os artistas no Circo. Depois apareceu lá, o Senhor Victor amigo cá de casa e sua simpática esposa que foi muitos anos emigrante em França, que fez o favor de as trazer até à porta. O nosso bem-haja pela sua gentileza. Como deixou na França uma linda moradia onde vive a sua única filha com dois netos, vai lá muitas vezes. Tem um carro muito bom e vieram todo o caminho a falar da crise. Dizia ele que a China e aquela Ásia toda é que nos vão um dia deixar mais pobres.

 Para ficarem a saber quero informar-vos que membros do governo recebem 16.000 euros

mensais por em subsídios de alojamento. Um Ministro e 9 secretários de Estado. No total são quase duzentos mil euros por ano. Favas, que é demais!

 

Tenho que me calar, por aqui não me levam nada e ainda me dão uma comidita ligeira…

Mas já andei mais gordo…

Ontem ouvimos na rádio um senhor ainda novo a dizer que o pai não lhe dava nenhuma mesada quando era mais novo, mas dava-lhe só o necessário para as suas despesas.

 Hoje é mesadas, semanadas e não sei que mais exigem…

Se for possível publicarem um dos poemas que leu na Aigra Nova, tendo levada uma salva de palmas especial. Ela não queria que eu contasse isto, mas eu acho muito bem. Eu de versos não percebo patavina… Mas já tenho feito umas cantiguitas.

Saúde para todos ---Marquês

 

 

       VENHA DAR VIDA ÀS ALDEIAS

 

Dar vida às aldeias, será bom pensar

Que dantes se viam de verde, florentes,

E dos passarinhos ouvindo o trinar…

Crianças brincando, na rua, contentes!

 

 

Saúdam-se amigos e o milho a secar;

Rebanhos com guizos, felizes viventes

Com sacho nos ombros, irão trabalhar,

Deitando na terra precisas sementes…

 

 

Que tempo saudoso! Murmuram velhinhos

A terem dos filhos, ternura e carinhos,

E a verem os campos de frutos tão cheios!

 

Agora, as aldeias, tão sós, não alentam

Sabendo que os homens já não se orientam

Pra terem da terra mais vida e mais meios!

 

  Clarisse Barata Sanches – Góis – Portugal


publicado por canticosdabeira às 10:54
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De Clarisse Barata Sanches

Rosários de Amor

Dedicatória:
Aos “Rosários de Amor”


Boa amiga Clarisse,
Converti-me aos seus Amores.
São lindos os versos-flores!
Chorei... Queria eu que visse...

Não sei que “frio” me toma,
Ao ler tamanha beleza...
Não é frio, concerteza,
É o amor que me assoma.

Beijadas por andorinhas,
Se fazem as suas linhas,
Com glória, honra em flor.

Solta-se o “Grito de Paz”,
E ninguém mais o desfaz
Nos ”Rosários de Amor”.

Rosa Silva (“Azoriana”)
Angra do Heroísmo
2008/04/07

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