Sábado, 12 de Maio de 2012

EM LOUVOR DO CACHORRO

        

 

 Humberto Pinho da Silva - Vila N. de Gaia - Porto -Portugal

              

O matutino de hoje noticia a notável aventura da cadelinha galega, que em terras da Corunha se perdera, e decorrido oito anos, capturada em Trás-os-Montes.

Graças à dedicação do veterinário de Vinhais, a cachorrinha, foi, após aturadas diligencias, identificada. Avisado o dono, caçador desportivo, prontamente a veio buscar.

 Diz o repórter, que não foi preciso identificar o proprietário do animal, porque este, logo que o pressentiu, desatou em alegre e festiva correria.

Mais um exemplo, entre muitos, da dedicação canina; animais que nos ensinam significativas lições de amizade e gratidão.

Também João Bosco possuía robusto amigo de quatro patas.

Encontrou-o na rua, em noite escura e fria. Era agigantado, de meter medo, mas acercou-se do santo, tão carinhosamente, que D. Bosco não hesitou adoptá-lo.

O cão, como se sabe, consegue distinguir, nos humanos, sentimentos. É intuição que raras vezes o engana.

O Pardo, ao avizinhar-se do fundador dos Salesianos, reconheceu, por certo, os nobres qualidades do santo.

O companheiro tornou-se não só amigo, mas também protector. Corajosamente o defendeu em situações bem difíceis.

Agora outros exemplos de amizade canina:

Na presença de meu pai, contou-me a Dr.ª Maria da Glória, médica gaiense, que encontrando-se exausta, resolveu descansar na marquise do consultório.

De súbito penetra na sala o cachorro, e insistentemente puxa-lhe, com os dentes, o vestido.

Contrariada, acompanha-o. Mal havia dado escassos passos, desabou, com formidável estrondo, o estuque do teto.

Lembram-se do cão do mítico Ulisses, quando regressou a Ithaca? Nem os familiares o reconheceram, apenas o Argus, ao vê-lo, tão alegre ficou, que morreu de contentamento.

Virgílio, Homero, Sócrates - que jurava pelo seu cão, - e Alexandre Magno, não pouparam, em escritos e palestras, rasgados elogios ao cachorro, que lhe foi dedicado.

Gioto, chegou a imortalizar o cão de guarda, que o acompanhou em verdes anos, na base do campanile de Florença.

E Guilherme Braga e Luiz Guimarães, dedicaram-lhes belos e comoventes poemas. Um ao Sultão; outro, ao Veludo, rafeiro que de cansaço sucumbiu junto ao dono.

Conhece-se os sentimentos caninos pela cauda, agitação e língua (lambendo - sinal de ternura e amizade); já agora, se me permitem, uma curiosidade: só o cão domesticado ladra; e ladra para poder comunicar-se com os humanos.

Não admira, portanto, que os cachorros sejam os únicos animais, que não precisam de trabalhar para serem amados. E são amados, porque amam incondicionalmente a quem lhes mostre carinho. Amam não por interesse nem por medo, mas por amor e gratidão. Qualidades que raramente conhecemos no nosso semelhante.

 

 

Humberrto Pinho da Silva- Vila N. de Gaia- Porto

 

Nota: Agradeço e felicito o meu Excelentíssimo Amigo e distinto escritor Humberto Pinho da Silva de Vila Nova de Gaia, pela publicação deste texto no seu interessante blog Paz,que eu não resisti à tentação de o transcrever nos meus Cânticos da Beira.

Também eu já conhecia a história deste cãozinho amoroso de Traz os Montes, que reconheceu o seu dono, vindo de terras de Espanha, após oito anos passados!... Os animais são melhores e mais dedicados do que as pessoas. É triste dizê-lo, mas é pura verdade. Que este texto verídito sirva de lição a quem muitas vezes os despreza e abandona. 

 

 C.B.S.


publicado por canticosdabeira às 15:45
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