Por Tiago Craveiro (publicado no jornal: “A ORDEM” do Porto em 19/11/2009)
O Parlamento português decidiu que os deputados não podem levar as respectivas mulheres e maridos ou qualquer outro acompanhante em deslocações oficiais pagas pelo Estado.
Fantástico!
Parece uma medida de enorme transparência, mas dá vontade de chorar que tenha sido aprovada apenas no século XX1 e com o país em absoluta bancarrota.
Ou seja, ainda há meia dúzia de dias era possível, em Portugal, país democrático integrado na União Europeia, que um deputado do mais recôndito lugar de Portugal trocasse o seu direito de viajar em primeira classe num avião por dois bilhetes em classe executiva para ele e para a mulher, por exemplo.
Vilanagem pura e dura. Além do mais a imensa maioria dos aviões não tem primeira classe mas apenas classe executiva pelo que se está mesmo a ver o que andou a acontecer, com a conivência do Estado, durante anos a fio.
Eu, cidadão, em nome da transparência, acho que tenho o direito de saber quais foram os senhores deputados que andaram a viajar com a família à minha custa pelo menos nos últimos dois anos (onde a crise (foi mais notória). E que apesar de isso ser legal, o facto dava-me motivos de sobra para nunca mais votar em parlamentares que o tivessem feito, simplesmente porque não partilham da moralidade com que entendo que um deputado deve exercer o seu cargo.
Talvez seja tempo de os partidos também se entenderem quanto ao número de deputados. Que moral tem o Estado para cortar funcionários públicos em todo o lado e manter o Parlamento com 230 Deputados? Claro que a medida exige o acordo de PS e PSD que, está fácil de ver, como são os que mais lugares ocupam no hemiciclo, dificilmente farão isso pela Pátria.
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Efectivamente tem muita razão o distinto articulista, Tiago Craveiro, acima indicado, em criticar a medida de se ter andado a esbanjar fundos do Estado para passeios de senhoras e senhores, sabendo-se que os pobres reformados mal têm para socorro da sua débil saúde. C.B.S.
Vejam todos como o défice cavalga... sem rei nem roque…
A notícia é do Jornal de Negócios (Online)
Défice do Estado dispara 138% em 10 meses
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20 Nov Estado cobra menos 4,28 mil milhões de euros em receitas fiscais... |
M
A ninguém faltava o pão,
Se este dever se cumprisse:
- Ganharmos em relação
Com o que se produzisse.
António Aleixo
GLOSA (Mundo Ideal)
"A ninguém faltava o pão”
Tão necessário na mesa,
Se houvesse moderação
Na ganância da riqueza...
E era mais alegre a vida,
“Se este dever se cumprisse:”
Não se esbanjar na medida,
Que qualquer um possuísse.
Para melhor precisão,
Seria visto a contento:
“Ganharmos em relação”
Com o nosso merecimento.”
Seria um mundo ideal
E o pobre talvez sorrisse,
Recebermos cada qual,
“Com o que se produzisse.”
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ESCUTA-ME:

AMADO FILHO:
Quando um dia, mais velho, filho meu,
Se eu deixar, para o chão, cair comida
E se, o apertar das botas, me esqueceu,
Sê paciente… neste fim da vida.
Lembra, também, as horas que passei
Quando querias vir falar comigo.
A mesma história, vezes te contei
Para te adormecer, ser teu amigo.
Se ao pé de ti eu tenha que fazer
Minhas necessidades, sem a pia,
Pra controlar-me, então, e não poder,
Não me censures nada… nesse dia.
Recorda, muitas vezes, que também
Eu te troquei a roupa, paciente,
Para te deixar sempre a cheirar bem,
A fim de te ajudar, é evidente.
Não me chames inútil e ignorante
Por não saber usar Computador,
E nem nunca me tornes por farsante,
Bem basta a minha mágoa, a minha dor.
Pensa que muita coisa te ensinei
E ajudei-te a comer e a vestir;
Com muito sacrifício te criei,
Num dever que gostava de cumprir.
Quando falarmos, se algo me esquecer
Tem paciência, ajuda-me a lembrar;
Pode ser importante eu entender
Que me dás atenção no conversar.
Se alguma vez eu não poder comer,
Insiste, mas sem nunca me afligir.
Não terei dentes fortes, tens de crer,
E pode custar muito o engolir.
Quando as pernas falharem, por cansar,
E perder o equilíbrio, no destino,
Tu dá-me a tua mão pra me apoiar
Tal como fiz, quando eras pequenino!
Não ralhes se eu disser: quero morrer
Por me sentir um pouco abandonado;
Pode ser muito duro assim viver,
Sem poder caminhar bem a teu lado.
Eu sempre quis pra ti o melhor bem,
Um mundo radioso e mais florido.
A sorte deu-te um pai e uma mãe
Que te traziam sempre no sentido.
Não fiques triste, quando eu for embora,
Não tenhas dó, mas dá-me o coração,
Até que chegue a minha certa hora…
Trata-me com amor e gratidão!
C.B.S.
AO PREZADO AMIGO E DISTINTO POETA PAULO ILHARCO,
AGRADECENDO-LHE O SEU PRECIOSO LIVRO DE POEMAS
"ASAS", COM TODO O MEU APREÇO E MUITOS PARABÉNS:

Amigo, onde achou rimas para tantos
Poemas que já li e com prazer?
Gostei das suas "ASAS" e dos “cantos”
Nem sei quais os mais lindos que escolher;
Só que vinham envoltos dos seus prantos
E me senti, por isso, estremecer…
Quem canta assim é qual um passarinho
Que enleva como o Sol ao pé do ninho!
Quem dera ter a sua inspiração
E umas "Asas" de luz para voar...
Penas eu tenho sim, em turbilhão,
Por eu não saber bem interpretar
Elegias que vem do coração…
E que ninguém as sabe consolar.
Ando no mundo à volta de mim mesma,
Por não ter sido Páscoa, mas Quaresma!
Se a vida não foi esta que sonhou
E se agarra a uma infância tão querida,
Memórias de família que gravou,
A Musa nem por isso foi perdida.
A Estátua ainda está, do seu avô,
Mas sem flores, por falha cometida.
Jamais esqueça, não, suas raízes,
São elas que nos fazem mais felizes.
Bem-haja Amigo Paulo, siga em frente
Que as "ASAS" vão levá-lo são e forte;
Quando chegar ao Céu vem, certamente,
Um Anjo que não quer vê-lo sem norte
Porque na Terra faz, é evidente,
Um Parnaso de versos por suporte,
Todos feitos num estro cor de arminho,
Mas sem “rosas vermelhas” no caminho!...
C.B.S.
É hoje, sim, Amigo Humberto Pinho,
O dia, agora, certo em que nasceu.
Foi a treze, no mês de São Martinho
Que algo da sua capa, ao pobre deu.
Não é dia aziago, não senhor,
Foi este, sim, por Deus o escolhido
Para nascer na Terra um Escritor
Que não passa, a quem lê, despercebido…
Mês que tem um “Verão”, certo carinho,
De castanhas assadas e de vinho,
Convívios de alegria e de saúde.
Parabéns, meu Amigo, Deus o queira
Que a vida seja longa e mensageira…
Para espalhar na Terra mais virtude.
Góis, 13 de Novembro de 2009
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A arte é força imanente
Não se ensina, não se aprende;
Não se compra, não se vende,
Para o prezado Amigo Jorge Vicente, digno Director do jornal Fri-luso, a residir na Suiça,com muito apreço e admiração pela sua arte de formatação. Como vê, não posso legar-lhe a arte e nem pode legar-me a sua...
..
“A arte é força imanente”
Dentro de nós investida
Que, quando se gere e sente,
Sobreleva a própria Vida.
Este dom maravilhoso,
“Não se ensina, não se aprende;
Vem lá do Céu, meritoso,
E a nossa alma transcende.
Nenhuma arte depende
De ser rico, ou sem vintém...
“Não se compra, não se vende,"
Nem se transmite a ninguém.
Mesmo até que se adquira
Do sangue dum ascendente,
A arte ninguém a tira,
“Nasce e morre com a gente.”
C.B.S.
NOVA LINGUA PORTUGUESA
POEMA LÍRICO PREMIADO COM MENÇÃO HONROSA NOS XXIX JOGOS FLORAIS DO ALGARVE - RACAL -SILVES. 2009
Desde que os Americanos
Começaram a chamar
Aos pretos, já há alguns anos,
Os “afro-americanos,
Nova língua anda a reinar.
Às criadas de servir
Que haviam dantes também,
Eu vos posso garantir,
E sem estar a mentir,
Que as conheci muito bem.
Depois passaram a ser
”Domésticas empregadas”,
Para, então, lhes suceder
Outro que vos vou dizer
Como, agora, são chamadas.
De”apoio auxiliares
Doméstico” que as cativa.
Contínuos foram aos ares…
Estão agora, se os chamares,
Quem andava por aí
A vender medicação,
São hoje, como eu já vi,
“Delegados, presumi,
De Médica-Informação”.
Ao aborto, diz-se, então,
E sem vergonha, talvez,
E nenhuma comoção…
Que é a interrupção
Voluntária da gravidez!
Hoje a qualquer operário
E que seja servidor,
Recebendo o seu salário,
Mesmo em serviço “ordinário”,
É um colaborador.
Fábricas, por dentro são
Unidades produtivas,
Mas na estranja, perspectivas
“Nacionais, estimativas
E Centros de decisão”.
Quem pouco sabia ler,
Analfabetismo seria
Para melhor se entender.
Hoje é mais chique dizer
Que é “iliteracia”.
Pra não dizer “mãe-solteira”
Como a Ágata, é natural:
Fala-se doutra maneira
“Família” e a cantadeira
Dirá: “Mono parental”.
Crianças na rua ao vento…
Naquele seu modo esquivo,
Mesmo tendo pouco tento,
Diz-se assim: “Comportamento
Disfuncional, hiperactivo”.
Alunos cábulas não há,
Se não são de gesto amável
E na Escola ao Deus dará…
Não estudando diz-se já:
“Desenvolvimento instável”.
Cegos, pra não se dizer,
Chamam-lhes invisual.
Incorrecto deve ser,
Não há outro nome a ter
Em modo gramatical.
Às prostitutas da rua,
Para que menos consterne
Andarem à luz da lua
Numa vida triste e nua,
São as senhoras de alterne.
Aos gangs étnicos, agora,
Que andam na rua ao desdém…
Sem lar, sem vida e à nora,
Chamam-lhes a toda a hora.
“Grupo de jovens” também.
Nas classes pra viajar,
De comboio há outra política…
Para ninguém se agastar
E até se envergonhar
Há o Conforto” e Turística”.
Aos caixeiros viajantes
Com amostras de fazendas
E bugigangas bastantes,
Daquelas que havia dantes,
São já técnicos de vendas”.
Muito mais há que falar
De “modernice”, ora essa!
Se quiser mais se informar,
Entre, até
Ou puxe pela cabeça!
C.B.S.
Referendo à legalização do casamento gay ganha apoios
Filomena Fontes
Público, 20091104
No programa do Governo a fórmula pode ser vaga, mas ainda assim não deixa margens para dúvidas. O executivo de José Sócrates quer "eliminar as barreiras jurídicas para o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo", ou seja, legalizar os casamentos gays, e as movimentações em defesa de um referendo ganham novos apoios. Ontem, José Ribeiro e Castro, ex-líder do CDS-PP, veio defender publicamente a consulta popular.
"Sou contra [a legalização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo] e penso que é uma questão que não tem prioridade política, mas participarei nesse debate e penso que não é possível ao Governo e ao PS avançarem para uma alteração jurídica sem ouvir os portugueses", declarou o deputado, citado pela agência noticiosa Lusa. Considera ainda Ribeiro e Castro que o facto de o PS não ter ganho com maioria absoluta viu diminuída a sua "legitimidade" para avançar com a proposta.
Também ontem, o porta-voz dos socialistas católicos, Cláudio Anaia, desafiou José Sócrates a "ter coragem pessoal e política" para marcar um referendo. "Trata-se, como a questão do aborto, de uma questão de consciência transversal aos eleitores dos vários partidos políticos", argumenta. Numa nota tornada pública, dizem mesmo que "seria inadmissível que uma opção tão relevante fosse tomada em função de estratégias políticas ou modas ideológicas e contra o sentir da maioria do povo, como o vêm revelando várias sondagens".
Confluindo com esta posição, uma plataforma de 40 associações, parte das quais se envolveu activamente no combate à legalização da interrupção voluntária da gravidez, está já no terreno para lançar uma petição pública. "Estamos a tratar já da formulação da pergunta e dentro de duas semanas deverão ser divulgados os nomes dos mandatários dos movimento", adiantou ao PÚBLICO António Pinheiro Torres, que se destacou no combate à legalização do aborto. Já na próxima quarta-feira será realizado em Lisboa um debate, com professores de Direito, sobre o tema do referendo e da Constituição.
Para Pinheiro Torres, o compromisso de legalização dos casamentos gay vertido agora no programa do Governo, aliado aos projectos já entregues na Assembleia da República pelo BE e pelo PEV, não põe em causa a realização de um referendo. "A democracia está sempre a tempo", contrapõe. De resto, entende que o tema não foi suficientemente debatido na campanha eleitoral e por isso "a Assembleia da República não está mandatada" para tomar decisões. E porque se trata de "uma questão civilizacional, a voz deve ser devolvida ao povo", defende.
Afixada por papinto às Quarta-feira, Novembro 04, 2009
COMO ELE NINGUÉM SABE DISCURSAR...
Se o Sócrates não arde em boa fama
Porque o mundo não tem ninguém perfeito,
Ele quer já casar dama com dama…
E os homens com os homens, por defeito.
“Isto será o princípio das dores”
Como diz o Evangelho de Jesus.
Rumores de guerras, perda de valores,
O sol a escurecer, não dará luz!
Mas não se negue a Sócrates o aval
De dar sempre Esperança a Portugal
Nem que o déficit se vá acentuar…
É que nosso “Ministro tão Primeiro”
Tem um método seu, de criadeiro…
- Como ele ninguém sabe discursar...
Quanto aos tão falados "casamentos" há quem alvitre dar-lhe este nome: "União Civil registada" Sim, esta forma já se ajeita melhor. Mas poderia ser apenas "União Civil" para ficarem com o titulo melhor de o pronunciarem. Aberrações da Natureza, difíceis de corrigir e de conformar a outra sociedade.
C.B.S.
MAIS LINDA DO QUE NUNCA
Hoje sonhei, amor, que tu voltaste
mais linda do que nunca, adolescente,
e que devagarinho me beijaste
para eu não acordar subitamente.
João de Castro Nunes
Ai, como tantas vezes acontece
desde aquele momento que voaste
e que te elevo a Deus na minha Prece:
"Hoje sonhei, amor, que tu voltaste."
Ao ver-te em forma de Anjo, ao pé de mim,
eu não quis deespertar, de tão contente,
porque te complava num jardim,
"mais linda do que nunca, adolescente."
Estrela radiosa! Mas chorei
maravilhado porque me encantaste,
de coração pulsante, como sei...
" e que devagarinho me beijaste."
Trazias uma rosa deslumbrante,
mas, apenas sorrias docemente;
tudo fizeste, Amor, naquele instante,
"para eu não acordar subitamente ."
C.B.S.
Trabalho glosa lido por mim no dia 31 de Outubro de 2009,quando da justa Homenagem ao Senhor Professor Doutor João de Castro Nunes, iniciativa de O Movimento dos Cidadãos por Góis e de um grupo de Amigos, de colaboração com a ADIBER e Câmara Municipal de Góis, que foi representada pela sua Presidente.
A sessão de homenagem reaqlizada no anfiteatro da Adiber, foi muito participada por senhores Prof. Doutores, vindos das suas terras e também Goienses que admiram o Senhor Professor João de Castro Nunes, uma referência muito importante que está ligado a Góis por vários motivos, entre os quais a arqueologia e pelo seu casamento realizado um dia na capelinha do Castelo. Um grande Poeta que muito admiro e aqui deixo os meus parabéns e votos de boa saúde.
C.B.S.
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Finados!... Triste dia da Saudade!
Dia que mais recorda o mundo etéreo,
Em romagem de amor e piedade
Vão as almas florir o cemitério.
Junto às campas, há preces de ansiedade,
Brilham velas num ar que é tão funéreo;
Entes que foram para a Eternidade,
Se lembram neste campo de mistério.
Ninguem neste recinto será forte,
Todos verão aqui o seu final!
Cinzas, pó, eis um dia a nossa sorte.
NO lúgubre silèncio sepulcral
Tudo findou, é certo, com a morte,
Mas a alma será sempre imortal!
C.B.S.
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CIDADE ADORMECIDA
Numa tarde de Outubro pardacento,
Tudo parecia quieto,
Menos o meu pensamento.
Estava só, num campo selecto
E em triste recolhimento.
Era um cemitério, exactamente.
Entre alas jazigos e capelas,
Havia campas rasas tão singelas!
Elevando a Deus uma oração,
Eu pensei:
Como também, aqui, há distinção!
Nesse silêncio profundo
E através de mármores e pó
Examinei com dó
Legendas, retratos e flores
De um velho mundo…
Envolvida de mistério,
Saí do cemitério
Meditando
Naquela doce paz celestial!
Ali jazia, sim,
Uma cidade adormecida,
Em verdadeira justiça social:
Todos usufruíam, assim,
Duma tranquilidade igual!
DO JORNAL O AMIGO DO POVO de 25 de Outubro de 2009
Diálogo do Tio Ambrósio com o Carlos do Cabeço
- O Tio Ambrósio já viu o desaforo que vai no nosso Parlamento em Lisboa?
- Ainda mal aqueceram o lugar e já andam de candeias às avessas? Começam cedo, Carlos!
- E sobretudo não começam por onde deviam começar! Os reais problemas das pessoas, sobretudo dos mais pobres e indefesos, como sejam o desemprego, o acesso a meios de saúde, com médicos de família para todos e medicamentos acessíveis para os que têm maiores dificuldades económicas, como são os reformados.
- E não foi por aí que começaram??
- Ora essa, Tio Ambrósio. A lei mais importante e mais urgente deste país é aquilo a que eles indevidamente chamam de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Homens com homens e mulheres com mulheres, que isto tem que ser uma democracia liberal e não apenas uma democracia tolerante. Por este andar eu ainda vou ver legalizadaa as uniões entre familiares próximos, como aliás já aconteceu em outros momentos da história que, no meu entender, são momentos para esquecer.
- Tu já sabes o que eu penso sobre esse assunto, Carlos! E até me custa voltar a falar nele, porque me dá uma volta ao meu entendimento, de tal modo que fico a imaginar-me na idade da pedra lascada.
- Pois não vai demorar muito tempo, Tio Ambrósio! Que eles, os nossos eleitos deputados, até já se puseram à bulha para verem qual o primeiro partido a apresentar a proposta de tão iníqua lei! Todos querem ter a honra ( eu chamar-lhe-ia precisamente o contrário) de passarem à história como os pais da mais aberrante das leis que imaginar se possa.
- Há gostos para tudo, Carlos! E o que eu te repito agora, é aquilo que já tenho dito muitas vezes, sempre que abordamos assuntos desta natureza. A civilização ocidental está a caminhar para a sua própria auto-destruição. Com efeito, uma civilização que não assuma como valores tudo aquilo que decorre do direito natural, ou seja das leis fundadas na própria natureza das coisas... uma civilização assim não pode deixar de ter os dias contados. O nosso povo, com aquela sabedoria acumulada por sucessiva geração, diz que conforme fizeres a cama assim te deitarás nela.
- Mas é uma pena que as coisas se passem assim! Não é, Tio Ambrósio?
- Estamos a entrar no campo do absurdo, Carlos! Infelizmente, a mente humana entrou em autêntico desnorte. É como um barco sem leme, sem bússula e mesmo sem velas nem remos. Perdido no alto mar, só uma estrela salvadora o pode orientar para uma baía onde possa ancorar ou para um porto onde possa refazer os seus instrumentos de navegação.
- Com isso, o Tio Ambrósio quer dizer que ainda nos assiste alguma esperança.
- Essa é sempre a última a perder-se, Carlos! E a verdade é que é possível que, uma vez chegada ao fundo do poço, a civilização ocidental resolva olhar para cima, que é o único lugar de onde lhe pode vir alguma clareira de luz.
- Vamos então ter esperança!
- Claro, Carlos! Mas, entretanto, temos que engolir muitos sapos vivos!
- E exercer o nosso direito à indignação, Tio Ambrósio!
- À indignação e à revolta, Carlos! Eu, embora já velho e cansado pelo peso dos anos e pelas agruras da vida, enquanto me restar uma centelha de lucidez hei-se continuar a exercer o meu direito de me revoltar contra todas as leis indignas do homem. Das leis que oprimem os homens, sobre tudo os mais indefesos, e sobretudo das leis que vão contra a dignidade da pessoas humana. E essa lei que querem fazer passar no Parlamento é contra a dignidade do ser humano, que foi criado homem e mulher.
- E é contra a dignidade da família, Tio Ambrósio!
- Claro, Carlos! A dignidade da família decorre da dignidade das pessoas que a constituem!
- Há, no entanto, quem argumente que não pudemos esquecer os casos concretos, de pessoas do mesmo sexo que vivem juntas...
- Contra factos não há argumentos, Carlos! E essas pessoas também têm a sua dignidade e os seus direitos. Só que não podemos confundir as coisas, de modo a colocarmos todos os casos no mesmo saco. Se dois homens ou duas mulheres querem conviver, habitar sob o mesmo tecto, ter os seus bens em comum... pois seja! Que haja uma lei que regule esse tipo de união. Mas, por amor de Deus! Que não se chame a isso casamento, que não se chame a isso família! Dê-se-lhe outro nome. Que vão ao grego buscar uma palavra nova que queira dizer tudo em comum...
- Aí está uma ideia interessante! Ainda hei-de perguntar ao doutor Gonçalo, que dizem que sabe muito de grego, como é que se podia chegar a uma palavra portuguesa com raiz dessa língua antiga, de onde vem uma boa parte das palavras que hoje usamos.
- Ou isso, ou qualquer outra coisa! Uma designação nova, uma palavra inventada, seja o que for! Mas que se não use nem a palavra casamento, nem matrimónio, nem família! Para realidades diferentes, designações diferentes! Haja, ao menos, esse pudor!
- O Tio Ambrósio fala bem! Mas será que para eles a palavra pudor significa o mesmo que para nós? Será que eles sabem o que é ter vergonha na cara?
- Sei lá, Carlos.
Antes de adormecer, já noite fora,
Porque somos do mundo passageiros,
Recordo os meus Amigos verdadeiros,
Que me esperam no Céu, a qualquer hora.
Revivo os que inda tenho, como escora…
Viúva dos meus sonhos, meus Janeiros!
“Flores” já não as tenho nos canteiros,
Ninguém que me decore a vida, agora!
Depois, acordo cedo e a pensar
Que se foram as noites de luar…
Para escrever poemas cor-de-rosa!
Por que a Vida tão pouco me acarinha,
Nem tenho a casa cheia… como tinha,
Eu chamo à inspiração: prenda saudosa!
C.B.S.
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TEMPOS MODERNOS
A Dona Cortesia era casada;
O marido chamava-se Respeito.
O filho era Gentil, a filha Dada,
No tempo em que isto andava mais direito...
Não se usava mesada ou semanada:
Honrava-se a velhice com mais preito.
Por todos era ela acarinhada
E não havia, não, tanto suspeito…
Família, agora, é só tu cá, tu lá…
O professor ninguém o cumprimenta;
Aprende-se o Inglês… É o que há.
Respeito, Cortesia, Educação
Por mal de tanta “dor”, se não alenta,
Descoram a bandeira da Nação!
C.B.S.

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